Diário de Odisséias - Gravataí

Sob as Sombras da Praça

O sol das 15h desenhava geometrias no chão da Praça Jaime Caetano Braum. No peito, aquele aperto conhecido — uma mistura de timidez com a responsabilidade de quem convoca a comunidade para a arte. As cadeiras estavam ali, o mate estava pronto, mas o silêncio inicial parecia pesado.

Foi então que o figurino entrou em cena. O colete, as cores, os adereços e a pintura no rosto não eram apenas um disfarce; eram um convite. Ao assumir o perfil do Sr. Antropos, o homem encabulado deu um passo para trás, permitindo que o poeta desse um passo para frente. A voz, antes presa na garganta, encontrou o microfone com a força de quem conhece as "odisséias" do cotidiano.

Sr. Antropos discursando

A roda era pequena, sim, mas as almas eram vastas. Ouvir os versos sobre a ansiedade comparada a uma barata indesejada ou sobre o tempo que flui como o "Relógio das Ondas" transformou aquele pedaço de Gravataí. Não eram apenas pessoas sentadas em cadeiras de praia; eram navegantes em um mar de histórias compartilhadas.

Poesias penduradas no varal do Mate com Verso

Ali, entre um gole de mate amargo e uma estrofe doce, o medo se dissolveu. O Sr. Antropos provou que a paz volta a reinar quando temos a coragem de ser quem somos, ou quem a arte nos permite ser. Ao final, enquanto o sol baixava, o que restou não foi apenas o varal vazio, mas o despertar de muitos versos que agora ecoam pela vizinhança.

Heróis da Ressitência

O primeiro Mate com Verso não foi apenas um evento. Foi o momento em que a praça deixou de ser passagem para virar encontro.

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